Esporte sem fronteiras – O judô como ferramenta educativa e terapêutica

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O sonho ou a possibilidade de sonhar, em ser um atleta, de conquistar uma
medalha, de participar de uma olimpíada, não custa caro. Em um tatame montado
em uma escola municipal, na região nordeste da capital mineira, onde a renda
per capita das famílias gira em torno de um salário mínimo por mês, esse sonho
sai de graça para as crianças. “Se eu conseguir competir até ficar mais velha, eu quero ganhar uma
medalha de ouro, quero ter um futuro no judô e representar o Brasil nos Jogos
Olímpicos.” Yasmim Rocha, de 14 anos, é uma das 60 crianças beneficiadas pelo
projeto social Esporte sem Fronteiras do Brasil, uma associação sem fins lucrativos que busca, através
da prática do judô, transformar a vida de muitas crianças carentes.

O
Projeto, formado por dez amigos judocas de diferentes especialidades, é
liderado pelo atleta
olímpico e campeão mundial de judô, Luciano Corrêa. “O Esporte sem fronteiras nasceu na França, somos a filial dele aqui no
Brasil. É um projeto bem respeitado que já existe no Haiti, em Kosovo e em
várias cidades do mundo. Aqui no Brasil nós temos duas unidades: em Belo
Horizonte, Minas Gerais e em Piranhas no sertão do Alagoas,” explica Luciano.

O objetivo do projeto é oferecer esporte de qualidade
somado à propostas pedagógicas que transformem a realidade social de crianças de
baixa renda. “A gente acredita que o esporte tem que chegar na vida da criança
antes de qualquer violência social. Dentro da
proposta do Esporte sem fronteiras a gente oferece informação, convidamos profissionais
para falar sobre o não envolvimento com as drogas, fazemos um trabalho com as
meninas para combater a gravidez precoce, além de trabalhar muito a questão da
violência urbana, principalmente a associação à gangues. Então, a gente cria um
laço da criança com o judô e aproveita isso para agregar informações e tentar
mudar a vida dela,” ressalta André Fernandes Filho, professor de judô e coordenador
do projeto.

Para Marilene Rodrigues Santos, monitora educacional
e mãe de quatro crianças que participam do projeto, o Esporte sem fronteiras
trouxe disciplina para a vida dos pequenos: “Eu olho pra dentro de casa, não só
para os meus filhos, mas pra muitos que estão aqui e vejo que melhorou o
rendimento escolar. A criança percebeu que além do esporte, ela precisa estudar
pra chegar lá. Então o boletim se tornou uma coisa muito importante”, explica.
Tainá, de 14 anos, filha mais velha de Marilene, confirma os benefícios do
projeto: “Eu senti que melhorou meu comportamento na escola. Tô tirando notas
boas e a gente aprendeu a ter mais educação dentro da sala, em outros lugares,
em casa também. Tô muito tranquila, mais confiante. Eu era muito tímida, agora
eu converso com todo mundo que eu encontro.”

Como
o projeto depende de um trabalho 100% voluntário, doações são sempre
bem-vindas. “Precisamos
de doações como judoguis, por exemplo, porque os novatos já não têm quimonos
para fazer a prática,” desabafa André.

A atleta olímpica Erika Miranda, uma das
representantes do judô na categoria feminina e apoiadora do projeto, explica a
importância do incentivo à prática do esporte ainda na infância e adolescência: “Pra mim é uma satisfação
muito grande porque hoje, sou eu que estou aqui. Daqui a 15, 20 anos, esse é o
futuro do judô e daqui pode estar um campeão olímpico e com investimento certo
ele vai chegar. Ele vai dar muito orgulho pra todo mundo.”

O
Projeto Esporte sem Fronteiras é prova da força transformadora da prática
esportiva na melhoria da qualidade de vida de crianças e adolescentes carentes
de todo o Brasil. O esporte é uma ferramenta poderosa de inclusão social. “Podemos
dar uma chance para essas crianças crescerem na vida”, finaliza Luciano.

Por Juliana Franqueira

Fotos: Divulgação

Foto 3: Luciano Correa