Entrevista exclusiva com a banda “Bloco do Caos”

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O Caos Musical que já surpreendeu O Rappa, Charlie Brown Jr., Planta e Raiz, CPM22 e Detonautas volta com novo nome e mostra o que tem de melhor para o público.

Uma mistura do groove do reggae jamaicano, com as guitarras intensas do Rock’n Roll, a percussão ritmada dos tambores africanos e letras socialmente engajadas que ganham vida nos vocais intensos do Rap. Tudo isso bem amarrado pela ginga malandra da bossa brasileira. Caos? Talvez, se não fosse a sintonia musical que possui o bloco formado por Alê Casarotto (guitarra e vocais), Gui Japa (guitarra e voz), Well Souza (baixo e backing vocals), Gus Garcia (bateria) e Cidão Formigão (percussão). Essa é a banda Bloco do Caos.

A trajetória dos músicos que viriam a compor, no fim de 2013, a Bloco do Caos começa muito antes desta data, ainda em meados de 2006 na caótica terra da garoa. Com o antigo nome de “The Truts”, Alê, Well, Cidão, Gui Japa e Guss Garcia tocaram com a banda brasiliense Natiruts, além de aqueceram o palco para receber Falcão e seus companheiros de O Rappa.

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Em julho de 2010, embora já com outro nome, mas ainda com a presença dos cinco músicos, a “The Truts” se torna Nohaw e trilha uma estrada relativamente curta –com pouco mais de três anos- mas de ascensão extremamente rápida no circuito musical brasileiro, tocando com nomes como CPM22, Charlie Brown Jr., Planta e Raiz, Detonautas, Tihuana, Strike e Rancore.

No fim de 2013 a Nohaw dá lugar a um novo projeto musical, a formação Bloco do Caos, que vêm apresentando ao público sua miscigenação de ritmos e sons. No último dia 19, Alê Casarotto, Gui Japa, Well Souza, Gus Garcia e Cidão Formigão abriram o primeiro show em Maresias do quarteto carioca Forfun, e, como não pôde ser diferente, o Girls on Board esteve lá, na beira do mar, para conferir e contar para vocês um pouco de como o caos se transforma em música nas mãos destes cinco músicos. Confere aí!

Meninos, antes de tudo, “Bloco do Caos”. Qual é o sentido por trás deste nome?

Alê –  A escolha do nome tem dois motivos principais. Primeiro, nós estávamos procurando um nome diferente e composto, que representasse bem a filosofia e o estilo da banda. Aí alguém surgiu com a palavra “Bloco”, que faz a referência ao carnaval e essa raiz na música brasileira que nós temos.  O “Caos” veio logo em seguida e expressa o lado mais Rock’n Roll, essa nossa característica forte de misturar sons, de dar às guitarras do Rock um jeitinho brasileiro. O outro motivo para a escolha do nome é uma homenagem à duas bandas que admiramos muito: O Los Hermanos, – e aí entra a palavra “Bloco”, remetendo ao disco deles “Bloco do Eu Sozinho” -, e o “Caos”, citando o álbum “Da Lama ao Caos, do Nação Zumbi. Então “Bloco do Caos” foi a junção mais que perfeita de todas essas ideias.

E como vocês se conheceram e se juntaram para fundar o que é hoje a Bloco?

Alê – Cara, cada um veio de um canto. O Japonês estudava comigo, o Gus era da sala do meu irmão na faculdade, o Cidão já era das antigas, tocava com o antigo vocalista.  Mas a história mais engraçada é a do Wells, porque ele apareceu numa comunidade ainda do Orkut na época (risos). A banda já estava meio estruturada, mas ainda faltava um baixista. Decidimos então tentar a sorte e entramos na comunidade “Estou Sem Banda” e lá estava ele. E foi assim que o Wells se tornou o nosso baixista.

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Hoje, aqui em Maresias, vocês abriram o show do Forfun. Quando nasceu essa amizade entra as duas bandas? E como surgiu este convite?

Japa – Para mim é uma satisfação total estar tocando com os caras do Forfun, porque sou fã deles desde as primeiras músicas… então foi sensacional receber esse convite. Tudo começou quando ainda éramos só fãs deles, quando eu e o Alê fomos em um show da Forfun e paramos para conversar com o Danilo, Rodrigo, Nicolas e o Vitor. Foi assim, em um dos bastidores de um show deles, que tivemos o primeiro contato verbal com o Forfun.

Alê-  Aí, com o passar do tempo, nós e os caras da Forfun passamos a nos encontrar sempre nos backstages de shows e nos camarins, então daí surgiu uma amizade muito legal. As duas bandas tem uma vibe e uma filosofia parecidas, portanto essa parceria rolou de forma muito natural. E, desde então já é a terceira vez que abrimos um show deles.

E nesse mesmo show de hoje o Marcelo Mira, vocal do Alma Djem, subiu ao palco para fazer uma participação especial na apresentação de vocês. E como é essa relação com o Alma?

Alê – Cara, Alma Djem é uma banda que eu acompanho desde que era moleque, vi estourar e tudo mais. Nosso contato aconteceu assim bem por acaso: fui num show, falei para o Marcelo que também tinha banda e que a gente tinha bastante influência do som deles, que o admirávamos bastante. Na hora rolou uma sintonia bem legal e, já no dia seguinte, o Mira estava subindo no palco junto com a gente. E, desde então, nunca deixamos de fazer um som juntos.

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Como podemos perceber, vocês têm várias parcerias e canções com outros músicos de outras bandas, como Forfun, Alma Djem e Natiruts. E nos sons de vocês? Cada integrante contribui com suas próprias características para formar a identidade musical da Bloco ou tem alguém que norteia mais as composições? 

Well – Cada um aqui tem uma referência diferente e, juntando, dá essa miscigenação musical que é o som do Bloco. Por exemplo, o Alê traz muito a influência do Rappa, puxada com a brasilidade do Los Hermanos. Já o Japa já traz um lance mais do Reggae, do DUB. O Cidão já vem da tradição do Forregae e das derivações desse ritmo…e tudo isso junto forma o caos que o nosso bloco toca. Apesar de termos toda uma produção e direção musical, todo mundo sempre acaba dando pitaco, opinando e influenciando nas composições.

Alê – A miscigenação já está no rosto das pessoas aqui da banda, tem um japonês, um baiano, um paulista…é um bloco do caos mesmo (risos)

E, para finalizar, como anda a agenda e os projeto de vocês?

Cidão – Nós já tínhamos um CD gravado e agora, nessa nova fase da banda, mas madura e profissional musicalmente, estamos regravando três singles do antigo CD, só para dar um gostinho ao público. Logo logo esse EP estará disponível pra galera ir se divertindo enquanto trabalhamos em algumas surpresas que estão por vir.

Por Bruninha Gonçalles

Fotos: Carol Reis