Desconecte-se

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Malas prontas. Ela sentia que estava esquecendo algo. Olhou melhor e estava tudo lá: roupas, biquínis novos, sandálias, cremes e protetores…não estava esquecendo nada. Ah! O carregador do celular.

Celular? Então lembrou, lá não tem sinal, muito menos internet e a eletricidade oscila (secador de cabelo nem pensar!). Por outro lado, lá tem o silêncio, a cachoeira, uma praia linda, boas ondas com poucos surfistas, árvores e mais árvores, trilhas… E de noite um céu estrelado inesquecível.

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A ficha caiu: 15 dias sem estar conectada ao Facebook, Instagram, Twitter, Blog, WhatsApp? E o Viber, Skype? Sem contar os emails… Lembrou também que, justo agora, estava amando uma série nova no Netflix… E o GPS? Bom, GPS é o que realmente não precisaria lá.

Esqueça os mapas! Seria só ela, os amigos, algumas roupas, um bom livro e o surfe. Mas, pensando bem, como é difícil se desconectar! Reconhecia que sim: vivia grudada no celular desbravando diferentes aplicativos, clicando mil fotos, curtindo outras mil… Já fazia parte do cotidiano saber da vida de 500 pessoas ao mesmo tempo, saber como está o mar lá do outro lado do mundo ou como anda o cachorro da sua amiga que mora na Califórnia. Era tão comum estar próxima de tantos amigos, familiares e informações, que ficar “fora” soava estranho. Pelo menos os emails de trabalho não ia precisar, estava de férias.

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Decidiu que estaria também de férias do seu mundo virtual. Afinal, não precisava postar fotos suas na praia, no luau, jantando, almoçando, surfando e mergulhando.

De repente, ela ficou mais leve.

Como é bom viver conectada, mas como é bom conseguir se desconectar. Olhar para si mesma, voltar sua energia para outros pensamentos, viver o agora, sentir o vento, durante a noite ouvir grilos e contar estrelas cadentes. Sua irmã ria: “Ouvir grilos? Que graça tem? Prefiro assistir Breaking Bad”. Inútil tentar argumentar que cada um é cada um.  Neste momento, pensou nos seus amigos que costumam passar 10 dias à bordo de um barco em ilhas remotas da Indonésia, sem sequer lembrar do Facebook. Quando se está no mar, apenas as ondas e o som da natureza bastam.

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Assim como seu celular precisa de carregador para funcionar, ela carregaria suas baterias longe dele. Valorizando a simplicidade das coisas, os detalhes da natureza e o mundo real.

Por Bartira Bejarano

Fotos: Divulgação